Por Tereza Yamashita
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
Choram do Ipiranga as margens poluídas
De um povo heroico o brado retumbante
De um povo ludibriado o grito sem ecos
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos
E o fogo da submissão, em raios cortantes
Brilhou no céu da Pátria nesse instante
Brilhou no Twitter da Pátria Armada
Se o penhor dessa igualdade
Se o penhor dessa desigualdade
Conseguimos conquistar com braço forte
Conseguiram quebrar os braços fracos
Em teu seio, ó liberdade
Em teu seio, ó submissão
Desafia o nosso peito a própria morte!
Provoca os peitos à própria sorte!
Ó pátria amada
Ó pátria Armada
Idolatrada
Desalmada
Salve! Salve!
Fogo! Fogo!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
BozoBrasil, um pesadelo intenso, um raio morto
De amor e de esperança à terra desce
De ódio e desesperança, na Terra plana
Se em teu formoso céu, risonho e límpido
Se em teu desagradável mandato, sorriso sarcástico e sujo
A imagem do Cruzeiro resplandece.
A reprodução da suástica reaparece
Gigante pela própria natureza
Pequeno pelo próprio desmatamento
És belo, és forte, impávido colosso
Foi belo, foi forte, covardia descomunal
E o teu futuro espelha essa grandeza
E o teu destino apagarás com tua insensatez
Terra adorada
Terra envenenada
Entre outras mil
Entre outras mil religiões
És tu, Brasil
És tu, BozoBrasil
Ó pátria amada!
Ó pátria Armada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Dos artistas deste solo és madrasta rude
Pátria amada
Pátria Armada
Brasil!
BozoBrasil!
Deitado eternamente em berço esplêndido
Pisando eternamente em trincheiras organizadas
Ao som do mar e à luz do céu profundo
Ao silêncio das enchentes e à escuridão do inferno profundo
Fulguras, ó Brasil, florão da América
Destaca-se, ó BozoBrasil, venerando a América do Norte
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Endiabrado ao sol do Velho Mundo!
Do que a terra mais garrida
Do que os emergentes mais cafonas
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores
Teus sarcasmos e filhos, tristes merdas… brotam mais.
Nossos bosques têm mais vida
Teus bosques não têm mais autonomia
Nossa vida, no teu seio, mais amores.
Nossos indígenas e negros… em tuas mãos o sangue corre.
Ó pátria amada
Ó pátria Armada
Idolatrada
Desculturada
Salve! Salve!
Fogo! Fogo!
Brasil, de amor eterno, seja símbolo
BozoBrasil, de desamor eterno, seja emblema
O lábaro que ostentas estrelado
O lábaro da necropolítica que ostenta teu governo
E diga o verde-louro dessa flâmula
E grita o nazifascismo dessa chama
Paz no futuro e glória no passado.
Guerra no futuro e inglória no passado.
Mas se ergues da justiça a clava forte
Mas se ergues da injustiça o pau grosso
Verás que um filho teu não foge à luta
Não verás um artista, ou um teu nessa luta
Nem teme, quem te adora, a própria morte
Mas teme, quem não te adora, a própria morte
Terra adorada
Terra evangelizada
Entre outras mil
Entre outras rezas e crendices
És tu, Brasil
És tu, BozoBrasil
Ó pátria amada!
Ó pátria Armada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Dos intelectuais e cientistas deste solo és madrasta rude
Pátria amada
Pátria Armada
Brasil!
BozoBrasil!
2025
Ainda impune?!
Conheça outros poemas de Tereza Yamashita em “Monstruadas aos 13”